Superação

04.04.2018

Continuação…

“… Vieram as críticas.”

Enquanto grávida e depois mãe, as prioridades eram outras… E eu estava muito feliz em substituir as vontades de antes para a atual.

O sentido de ser mãe pra mim era algo forte e importante na vida de uma criança.

Dei tudo de melhor que eu tinha, e toda a família era unida por um mesmo propósito. A educação dela.

Embora focada em ser a melhor mãe que eu pudesse, quando podia, eu continuava meus cursos de interpretação e tantos outros que vieram.

O que hoje vejo com mais clareza é, eu não acreditava que seria possível a realização do que naquele momento era um sonho, mas era tão inconsciente que eu não percebia.

Estava sempre bem intencionada e completamente decidida em dar certo que achava que ninguém ia impedir a minha ação.

Só que, bastava uma pessoa falar algo que já estava dentro de mim, como por exemplo: ” você ainda está nisso?” Ou “vai parar quando?” Que eu congelava.

Amedrontada pelo meu próprio medo, congelava todas as pequenas possibilidades. Volto a dizer, embora o fizesse, não sabia que o fazia.

E, ao mesmo tempo, eu não podia desistir.
Eu queria uma vida estruturada por mim, uma renda vinda de mim e achava que uma oportunidade dentro da minha área, essa que estudei por tanto tempo, traria o que eu tanto desejava.

Eu comecei a fazer network e as cobranças eram enormes. Eu não sabia mais o que fazer para não me deixar impregnar pelas dores do meu em volta.
Se tivesse uma reunião ou encontro a noite, o motivo era que não dava pra ir porque minha filha precisava de sua mãe e por aí vocês podem imaginar.

Entrei em um grupo de teatro e fui parte do elenco. Eu era uma das personagens principais. Era o meu primeiro trabalho depois de formada e com registro profissional – o tão famoso DRT – que agora querem acabar.

A peça era a história de cinco prostitutas dentro de um cabaré. O que eu mais temia aconteceu, fui testada de todas as formas.

O grupo participava de orgias e festinhas que eu nunca estive presente, mas todas as tentativas foram realizadas para que eu estivesse.

Ouvia desde as coisas mais simples sobre mim até as piores.
Eu era objeto de estudo para eles, e o lado sexual deveria ser explorado.

Como sempre, eu sempre tive um gênio forte, e nunca foi viável tirar de mim quem eu era. Mas, algumas barbáries, na minha visão ingênua daquele momento, eu precisei passar e ver… Mas não me permitia ser “usada” como objeto dentro de um ambiente que devia ter respeito, estudo e oficinas profissionais para a criação de um personagem.

As dores iam aumentando devido um pensamento meu…
“Como podem corromper uma profissão tão real e cheia de coisas interessantes para criar dessa forma?”

Eu me sentia desrespeitada e não aceitava de forma alguma ser vendida para ser aceita.

E ainda assim, quando via, eu gritava e falava pra todo mundo.

Foi aí então, que as sensações de fracasso vieram.
Eu passei a ver o caminho que eu amava se desfazendo pouco a pouco.
Passei a não querer mais pensar como ia conseguir algo que no meu olhar era tão simples. Um trabalho como outro qualquer.

Depois desse trabalho, alguns outros vieram e as críticas continuavam porque nada era algo concreto, eu ouvia. E o meu medo aumentava. EU pensava que a idade já era avançada e que para começar de novo seria impossível.

Foi então quando pensei em desistir pela primeira vez.

Fui para a faculdade de psicologia.

Essa parte?
Eu conto para vocês amanhã.

Beiju
Bom dia gente.

C.z